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“HÁ VIDA PARA ALÉM DA INSUFICIÊNCIA CARDÍACA”

Para a cardiologista que coordena a Clínica de Insuficiência Cardíaca do Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa, Aurora Andrade, “há vida para além da insuficiência cardíaca”.

“É possível ser feliz, mesmo tendo esta doença crónica. O truque é adaptar-se às circunstâncias e enganar a doença”, refere.

Note-se que a insuficiência cardíaca ocorre quando o coração não consegue bombear sangue suficiente para atender às necessidades do corpo. Como consequência, por exemplo, pode acumular-se líquido nas pernas e nos pulmões.

A importância do suporte familiar, cumprir o horário e as tomas de medicação, realizar uma atividade física adaptada e uma alimentação equilibrada e saudável foram as mensagens principais do Workshop “Juntos na Insuficiência Cardíaca”, que contou com a intervenção de vários especialistas que esclareceram sobre sinais, sintomas e tratamento da insuficiência cardíaca.

Maria José Rebocho, elemento do conselho científico da Associação de Apoio aos Doentes com Insuficiência Cardíaca (AADIC), apresentou a associação que “tem como objetivo fomentar a divulgação da insuficiência cardíaca e melhorar o diagnóstico e tratamento desta patologia e, acima de tudo, melhorar a qualidade de vida dos doentes e seus familiares”.

Entre profissionais de saúde, doentes, familiares e cuidadores, foram mais de 100 as pessoas que participaram neste workshop da AADIC, organizado em parceria com a Clínica de Insuficiência Cardíaca do Centro Hospitalar do Tâmega e Sousa (CHTS).

Na sessão de abertura estiveram Filipa Carneiro, diretora clínica do CHTS, José Ribeiro, enfermeiro diretor do CHTS, e Carlos Alberto, presidente do Conselho de Administração do CHTS, que salientou “a confiança dos utentes no acompanhamento feito pelo Serviço de Cardiologia, confirmada pela forte participação neste encontro, numa manhã de sábado, onde os ensinamentos e a partilha de conhecimento vão estar em destaque”.

A terminar, para reforçar a importância da atividade física, foi lançado um desafio que colocou todo o auditório a dançar. Nesse dia, também na cantina, a importância da alimentação saudável ficou marcada com o almoço a ser servido com menos sal.

 

Doentes explicam como lidar com insuficiência cardíaca

Luís Gonçalves, de Paços de Ferreira, e Luísa Freitas, de Paredes, são seguidos na Clínica de Insuficiência Cardíaca, no Hospital Padre Américo.

Sobre a equipa da Clínica, são unânimes: “as enfermeiras são excelentes e a Dra. Aurora é exemplar”.

Luís Gonçalves é seguido há 10 anos e diz que, depois do enfarte, ficou deprimido, mas com o apoio familiar e seguindo as indicações da equipa de saúde, “foi um milagre, estou vivo”, afirmou.

Acerca do encontro, Luís acrescenta:

“muito interessante, acertei nas perguntas todas. Temos que fazer o que nos mandam, as dietas e tudo, não é?”

Luísa Freitas, com uma insuficiência cardíaca genética, é seguida desde 2018, logo após a colocação de um Cardioversor Desfibrilhador Implantável (CDI). “Até agora, salvaram-me a vida. Tenho a vida salva”.

Também no jogo interativo respondeu acertadamente e afiançou estar “a gostar de tudo, até do lanche com coisas muito saudáveis”. “Tenho muita sorte em casa”, confidencia ainda Luísa, “todos querem cortar no sal e no açúcar”.

Clínica de Insuficiência Cardíaca no CHTS

Desde 2011, o Serviço de Cardiologia do CHTS tem um programa multidisciplinar estruturado de tratamento da Insuficiência Cardíaca (IC), a Clínica de Insuficiência Cardíaca (CIC), com o objetivo de reduzir a mortalidade, a taxa de reinternamentos e melhorar a qualidade de vida destes doentes.

Ao longo dos anos foram seguidos cerca de 500 doentes, e dedica-se àqueles que têm IC com disfunção sistólica ventricular esquerda em que são conhecidas ou se preveem dificuldades no manuseamento/orientação da Insuficiência Cardíaca.

A equipa é constituída por uma cardiologista, que coordena o programa, e 4 enfermeiras com formação específica nesta área. Conta também com 1 interno de Cardiologia, fazendo parte do plano formativo em Cardiologia.

A atividade distribui-se pelo internamento, consultas médica e de enfermagem programadas, consulta aberta e Hospital de Dia.