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ALBERTO SANTOS: “DEVEMOS ASSUMIR NESTA DATA O ORGULHO DE SER PENAFIDELENSE”

Penafiel assinalou ontem os 250 anos de elevação ao estatuto de cidade, com uma sessão evocativa que, à semelhança de outros anos, serviu para refletir sobre o percurso histórico que trouxe Penafiel até aqui, bem como para preparar um presente de celebração, e um futuro que se espera de novas conquistas, pelo meio dos desafios que se colocarão a todos os que fazem parte da vida e dinâmica deste concelho.

A Alberto Santos, presidente da Assembleia Municipal de Penafiel, coube a função de recuperar ao passado aquilo que, ao longo de toda a história desta comunidade, se foi perpetuando até influenciar a identidade penafidelense dos nossos dias. “Cada terra tem a sua própria história, que se confunde e conecta com as gentes que a habitam ou habitaram por mais ou menos tempo, ou que nela trabalharam, investiram, visitaram, e nela guardam as suas memórias. Por isso, a história de cada terra é tanto mais importante quanto mais ela for capaz de gravar emoções, sentimentos fortes e experiências de vida naqueles a quem foi concedido cruzar a sua jornada pessoal com a história de uma terra. Penafiel tem este privilégio, de nos afetar a alma e o espírito de modo tão intenso, que nos faz sentir um genuíno e positivo orgulho, de ter feito parte desta história, particularmente neste tempo que é o nosso”, começou por afirmar o antigo autarca, num discurso em que apelou ao orgulho que deve ser partilhado, de celebração de uma data tão marcante numa das cidades mais antigas de Portugal. “Celebramos uma parte muito importante da nossa história, e não devemos ter pejo em exaltar o orgulho que sentimos nesse quinhão de «penafidelidade». Certamente com modéstia e probidade, mas com vaidade na dose certa, que as circunstâncias merecem. Para isso, é necessário lembrar aqueles que nos precederam e que, direta ou indiretamente, contribuíram para a efeméride que hoje celebramos, 250 anos da nossa bela cidade”.

Na sua intervenção, Alberto Santos relembrou a influência que povos diferentes, oriundos de várias partes do Mundo, tiveram na construção da identidade, hábitos e cultura de toda uma comunidade, e aludiu igualmente ao papel que a localidade teve desde os tempos da fundação da nacionalidade, que vincula este território à figura dos senhores de Ribadouro, oriundos de uma linhagem nobre intimamente ligada ao emergir de Afonso Henriques como primeiro rei de Portugal. Também não foi esquecido o papel de referência que Penafiel assumiu em vários domínios, e que contribuíram para a construção de uma localidade de onde são originárias algumas figuras de destaque nacional, como o Padre Américo, artífice de uma grande obra social presente nos nossos dias, a desportista Fernanda Ribeiro, campeã olímpica, mundial e europeia em atletismo, o bispo D. António Ferreira Gomes, ou António Barbosa de Melo, antigo presidente da Assembleia da República e membro do Conselho de Estado.

E se, mesmo no meio de intrigas palacianas e jogos de poder, Penafiel manteve inalterado o seu estatuto desde 1770, é porque, no entendimento de Alberto Santos, houve quem soubesse compreender o potencial que a localidade apresentava na altura. “Se Penafiel foi escolhida como cidade, é porque lhe foram reconhecidos os pergaminhos em termos de importância política e estratégica, que levaram a que ninguém se atrevesse a alterar esse estatuto. Os penafidelenses passaram a ter em mãos uma nova realidade, que souberam aproveitar, afirmando a centralidade desta cidade no plano político, económico, institucional e industrial, e que a tornam grande em honra, história e identidade”.